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FILOSOFIA POLÍTICA NA ANTIGUIDADE: PLATÃO E ARISTÓTELES

PLATÃO (427 a.C.)

Arístocles, mais conhecido como Platão, nasceu em Antenas no seio de uma família aristocrática de políticos reconhecidos, é tido como o pai da filosofia política e sem dúvida um dos maiores pensadores do mundo ocidental. Tornou-se aluno de Sócrates (470 a.C.) e posteriormente fundou a Academia, uma escola de filosofia, e escreveu mais de vinte diálogos.

Suas principais contribuições para filosofia foram A Teoria das Ideias, A Teoria da Reminiscência, a Teoria das Três Partes da Alma e os Graus do Conhecimento. Essas são basicamente as principais formulações teóricas que fazem parte do sistema epistemológico platônico.

Um dos seus mais famosos escritos é A República (politeia), que significa “organização da cidade” que foi escrito em 373 a.C. divido em dez capítulos. Neste diálogo Platão reflete sobre como deveria ser constituída uma cidade justa. 

Dentre as várias ideias tratadas nessa obra, para a filosofia política é interessante destacar os livros VIII e IX, onde Platão analisa as diversas formas de governo, por exemplo, a Aristocracia (areté) ou virtude; é o governo dos mais virtuosos, dos melhores, mais adequados, mais capazes.

Timocracia que seria um governo baseado no conhecimento, na honra, no prestígio, no status social. 

Oligarquia, um governo de poucos, tendo a riqueza como bem supremo (também conhecido como plutocracia), em outras palavras, aqueles que possuem mais bens, os que são mais ricos deveriam governar.

Democracia que também é entendida como demagogia, ou uma liberdade excessiva, feito para agradar o povo com decisões que levam ao desgoverno e também tratou da tirania que ocorreria quando a excessiva liberdade poderia fazer com que algum indivíduo ganancioso tomasse o governo legislasse apenas em benefício próprio.

Para esse filósofo das formas de governos supracitadas a melhor é a aristocracia (porque imita a forma do bem) e a pior é a tirania (que é injusto porque as pessoas não estão nos seus lugares adequados).

ARISTÓTELES (384 a.C.)

Filho do médico Nicômaco, Aristóteles foi aluno de Platão. Depois da morte de seu mestre, fundou a escola de filosofia o Liceu, onde seus alunos se chamam peripatético (aqueles que aprendem enquanto caminham). Aristóteles é também conhecido como o pai da biologia, da lógica, da pedagogia e de tantas outras ciências. Aristóteles também foi professor de Alexandre o Grande (356 a 323 a.C.).

Sua reflexão política desenvolveu-se quando questionou os motivos para os seres humanos se organizarem em comunidades. De acordo com o pensador, a necessidade de reprodução e proteção fez com que surgissem os primeiros modelos de família. Com o tempo as famílias necessitaram se juntar, surgiram então as Vilas, comunidades, cidades etc. Para esse filósofo, não bastava nascer na cidade ou ser filho de um cidadão para ser um cidadão, para ser considerado assim o indivíduo deveria participar da vida política da cidade.

Aristóteles fez uma divisão entre os diversos tipos de governos, por exemplo, Monarquia: um homem só (busca de um bem comum) ou Tirania (busca de interesses próprios); Aristocracia: poucos homens governando (um grupo de pessoas virtuosas) ou Oligarquia, poucos homens governam, mas em benefício de seus próprios interesses. Politia ou Politéia: muitos homens governam visando sempre o bem comum, onde cidadão se alteram no governo e a Democracia: a maioria da população participa da política. Para ele existem os governos que buscam o bem da comunidade e aqueles que são degenerados, que só buscam seus próprios interesses.

Temos, portanto, a divisão aristotélica de formas de governo:

Quando virtuosa
Quando corrompidas
Monarquia
Tirania
Aristocracia
Oligarquia
Politia
Democracia

Para Aristóteles a forma de governo ideal é a monarquia:

“A monarquia é, na nossa opinião, um dos melhores regimes. Contudo, é preciso examinar se é preferível, para um país e para um povo que queiram ser bem governados, ter ou não um rei, se não há um sistema mais interessante ou se a monarquia, sendo boa para uns, não seria má para outros. O governo é o exercício do poder supremo do Estado. Este poder só poderia estar ou nas mãos de um só, ou da minoria, ou da maioria das pessoas. Quando o monarca, a minoria ou a maioria não buscam, uns aos outros, senão a felicidade geral, o governo é necessariamente justo. Mas, se ele visa ao interesse particular do príncipe ou dos outros chefes, há um desvio. O interesse deve ser comum a todos ou, se não o for, não são mais cidadãos. ” (ARISTÓTELES, 1998, p. 151).


Como se pode notar Aristóteles é realista, pois tem uma visão menos idealizada que a de Platão. Defende que qualquer governo deveria pensar no bem comum, colocando os interesses particulares de lado.


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Pierre LoganFormando em direito com inclinações filosóficas e licenciando em filosofia. Foi líder da banda Estado Mental, gravou o disco “A separação dos tempos” (2010). Atualmente, em sua carreira solo, lançou o disco Pierre Logan: Crônicas de um mundo moderno (2015), cuja proposta (rock filosófico) o deixou na vanguarda dos roqueiros mais promissores da nova leva da cena independente. Atualmente mora em São Paulo e também é colunista do jornal SP em notícias, publicou vários artigos sobre política e filosofia. Mais informações acesse o site oficial 

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